O Centro Histórico
Ouro Preto distingue-se das restantes cidades mineiras pela nobreza dos materiais empregues na construção do aglomerado urbano e apresenta uma arquitectura vernacular idêntica à das povoações portuguesas do Minho e Alto Douro. A predominância das construções em pedra e a riqueza patente nas igrejas são exemplos do ambiente de prosperidade material e cultural que ali se vivia. Do centro histórico de Ouro Preto, destacam-se edifícios como o antigo Palácio dos Governadores, a antiga Casa da Câmara e Cadeia, a Casa dos Contos, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja de Nossa Senhora do Pilar e a Igreja de S. Francisco de Assis.
A construção do antigo Palácio dos Governadores teve início em 1741, por ordem de Gomes Freire de Andrade, sob traçado do Sargento-mor Engenheiro José Fernandes Pinto Alpoim. Trata-se de um edifício com carácter defensivo, localizado numa plataforma da muralha da cidade e acessível por uma rampa guarnecida de guaritas.
A antiga Casa da Câmara e Cadeia de Ouro Preto foi edificada ao longo de várias campanhas de obras executadas a partir da segunda metade do século XVIII. Aqui se realizavam todos os serviços relacionados com a gestão administrativa, política e judiciária de Ouro Preto. Actualmente, o edifício é sede do Museu da Inconfidência.
A Casa dos Contos, construída no último quartel do século XVIII, teve várias funções ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX. Residência magnífica, a Casa dos Contos apresenta grande familiaridade com os solares do norte de Portugal.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída no último quartel do século XVIII, apresenta um traçado erudito e fortemente influenciado pelas igrejas germânicas e borrominianas, permanecendo até hoje incerto o nome do seu autor.
A construção da Igreja de Nossa Senhora do Pilar resultou da iniciativa de duas irmandades associadas: Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora do Pilar, fundadas em 1729. Exteriormente, a igreja apresenta estrutura de alvenaria e pedra, guardando no interior exemplos extraordinários do dourado barroco colonial. Estes podem ser admirados no pequeno museu que a paróquia criou e onde estão em exibição alfaias e pratarias de grande qualidade.
A Igreja de S. Francisco de Assis, iniciada em 1766, reune o melhor da arquitectura barroca da cidade de Ouro Preto. Embora não existam documentos que, taxativamente comprovem as autorias, alguns estudiosos defendem que o inteiro projecto plástico, arquitectónico e escultórico, são atribuíveis a António Francisco Lisboa, escultor natural desta cidade mineira, e conhecido pelo cognome de «Aleijadinho» (1730-1814).