O Monumento
Entre o século XIII e o século XV a arquitectura das ordens religiosas e militares pode ser considerada como uma categoria à parte no quadro do gótico português – primeiro pelo papel que estas ordens desempenham no contexto da reconquista territorial e na fixação de novas populações, depois pela sua expressão socio-política, a meio caminho entre uma vida de oração e de combate, que obrigou, internamente, à implementação de uma mística de união, da mesma forma que levou, exteriormente, à expressão de um compromisso entre a arquitectura religiosa e a arquitectura militar.
Pertence a esta tipologia o conjunto constituído pelo Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa, que alberga a mais importante igreja-fortaleza portuguesa, mandado construir, durante a primeira metade do século XIV (entre os anos 1340/50), por D. Álvaro Gonçalves Pereira, prior da Ordem Religiosa e Militar do Hospital, como nova sede da Ordem.
O edifício levantado na pleneplanície alentejana, de perfil vertical mas robusto, ostenta um carácter inexpugnável. Numa perfeita combinação entre mosteiro e castelo, trata-se de um dos mais originais edifícios do gótico português. A Igreja é de uma só nave e planta cruciforme, com capela-mor quadrangular. Como os braços do transepto e da nave são de comprimento idêntico, a planta, ao nível do segundo piso, aproxima-se da cruz grega. A cobertura é feita por abóbada de berço quebrado, suportada por fortes arcos torais. A zona da entrada, que hoje conhecemos, foi muito modificada no século XVI. No exterior, a igreja era coroada por merlões ligeiramente avançados sobre modilhões, que permitiam a existência de um caminho de ronda em todo o seu perímetro. Deste característico remate já não restam vestígios visíveis.
Entre 2002 e 2008, o Mosteiro da Flor da Rosa foi alvo de uma intervenção de recuperação e valorização, levada a cabo pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo, com o apoio do Programa Operacional da Cultura (QCA III), a qual incluiu um conjunto de acções de investigação, recuperação e valorização patrimonial. Estas acções vieram possibilitar o usufruto da parte do monumento não afecto à “Pousada de Flor da Rosa” (aí instalada desde 1995) e que se conserva sob gestão directa do Ministério da Cultura.
Com esta intervenção, foi possível colocar à fruição pública vários espaços que se encontravam fechados ao público, nomeadamente a igreja e sacristia, o coro alto e a torre sineira (acesso condicionado), o claustro e várias salas que constituíam os antigos lugares regulares do mosteiro, espaços esses destinados agora a área de acolhimento a visitantes, bilheteira e loja, exposição interpretativa do monumento, área lúdica/pedagógica e “Oficinas do Mosteiro” e à instalação de um núcleo expositivo de Escultura do Museu Nacional de Arte Antiga. Foram também criadas condições para a realização de exposições temporárias e de outros eventos de carácter cultural.
No monumento encontra-se também instalado o Posto de Turismo da Flor da Rosa, mediante acordo de colaboração entre a Direcção Regional de Cultura do Alentejo e a Câmara Municipal do Crato.
Protecção legalMonumento Nacional (MN), Dec. 06-06-1910; Zona Especial de Protecção (ZEP), 23-06-1986
LocalizaçãoDistrito de Portalegre, município do Crato, freguesia de Santa Maria de Flor da Rosa