O Monumento
Segundo a tradição historiográfica, o Castelo de Viana do Alentejo será obra do início do século XIV, em reinado de D. Dinis. Com efeito há notícia, a partir de uma carta de D. Afonso V, solicitando o treslado da carta original de D. Dinis de 1313, de que o monarca contribuiria para a edificação de “cerca de muro em que seia a villa de quatrocentas braças em o qual luguar que lhes El Rey mandar e colham demtro a fonte gramde de que se agora serve a vila e o muro deve ser de huma braça em amcho e em alto poder atanger um cavaleiro em cima de um cavalo(...) [E terão] de fazer tres portas (...) e fazer em cada porta dous cubelos boons huumda huma parte da porta e outro da outra. E o ditop Senhor El rey por esto da lhe loguo em ajuda mil libras(...)”(Leitura Nova, Livro n.º 3 de Estremadura, fls. 32 v. – 33 v. (L.º 3 de Guadiana, fl.193).
Contudo, o Castelo que hoje temos em Viana do Alentejo não corresponderá a esta intenção régia, nomeadamente nas 400 braças que deveriam ter os muros, nem na obrigação de incluir nesta cerca a “fonte grande de que agora se serve a vila”, e as investigações mais recentes inclinam-se para a probabilidade da cerca Dionisina não ter chegado a ser construída, podendo o Castelo de Viana ser uma obra dos finais do século XV ou inícios do século XVI (Pedro Cid, 2003 - processo de investigação desenvolvido no âmbito do Projecto de Recuperação, Conservação e Valorização do Castelo de Viana do Alentejo).
O actual edifício, de traça ortogonal é dotado de cinco torres cilíndricas, duas portas públicas, sendo as muralhas construídas em alvenaria de opus incertum.
No espaço intra-muros, na ala sul do Castelo, datando do primeiro quartel do século XVI, ergueu-se a nova Igreja matriz, edifício manuelino, com nítidas influências mudéjares. Classificada como monumento nacional pelo Decreto de 16.06.1910 (tal como o Castelo), é avaliada como um dos mais preciosos exemplos do estilo manuelino do sul do país. É uma obra atribuída a Diogo de Arruda, que em 1521 era nomeado mestre das obras da Comarca do Alentejo e desde 1519 se encontrava em Évora dirigindo as obras do Castelo Novo. Esta Igreja tem paralelos com a da Madalena, de Olivença e com a antiga Sé de Elvas, revelando, como elas, grande cuidado e qualidade de execução.
A Igreja da Misericórdia, localizada na ala norte do Castelo, encontra-se actualmente desafectada e, tal como a Igreja Matriz, é obra manuelina, atribuível à esfera de Diogo de Arruda, no primeiro quartel do século XVI. O Portal, fronteiro aos antigos Paços do Concelho, é lavrado em calcário da região e constituído por arcatura polilobada, decorado por óvulos, cordas e nós, rematado por alcachofras estilizadas, bem ao gosto dos Arrudas. A Igreja é de planta rectangular e cobertura de abóbada nervurada. Destaca-se ainda o revestimento azulejar das paredes em padrão de tapete, policromo, datável da 2ª metade do século XVII. O revestimento a azulejo continua pela capela-mor, onde ressalta a bela abóbada polinervada, guarnecida por bocetes cilíndricos, fitomórficos, representativos do exotismo da arte portuguesa do final do Gótico.
No pátio do Castelo, subsiste ainda o cruzeiro manuelino. O espaço que medeia entre a Igreja Matriz e as dependências dos antigos Paços do Concelho foi utilizado como cemitério até 1871 (Espanca, 1978).
O Castelo de Viana do Alentejo compreende um importante conjunto arquitectónico que, apesar da sua relevância, quer histórica quer artística, tem, de certo modo, ficado esquecido do público e muito vagamente tratado pela historiografia da arte. Esta situação terá eventualmente que ver com a sua implantação numa região actualmente muito desertificada e com fraco poder de afirmação, fora dos circuitos turísticos tradicionais que, no Alentejo, chegam a Évora e vão muito pouco além desta cidade.
Sob o título genérico de Projecto de Conservação Recuperação e Valorização do Castelo de Viana do Alentejo, foi desenvolvido um projecto (que obteve financiamento no âmbito do Programa Operacional Regional do Alentejo - PORA e foi recentemente alvo de candidatura ao Quadro de Referência Estratégica Nacional - QREN) que contempla um encadeamento de acções cujos objectivos essenciais são a recuperação e conservação do edificado e a regularização de espaços envolventes para, simultaneamente, poder devolver o Castelo à fruição pública, conferindo-lhe capacidade de acolhimento de visitantes em condições de segurança e conservação. O projecto inclui ainda o desenvolvimento de estudos diversos que, para além de apoiarem as intervenções de conservação deverão trazer conteúdos actualizados para a produção de uma exposição interpretativa do conjunto monumental.
Protecção legal
Monumento Nacional (Decreto de 16.06.1910)
LocalizaçãoDistrito de Évora, município de Viana do Alentejo, freguesia de Viana do Alentejo