O projecto
Em 2006 passaram cinco séculos da criação da Custódia de Belém, obra-prima da cultura portuguesa que integrou a colecção do Museu Nacional de Arte Antiga, em 1925, e é hoje Tesouro Nacional. Foi alvo de intervenções de conservação e restauro em 1929, e entre 2008 e 2009, trabalhos fundamentais de preservação do nosso máximo património histórico, o último dos quais possível pelo Mecenato da EPAL – Empresa Pública das Águas Livres.
A Custódia de Belém revelava sintomas graves de degradação material – fractura, embaciamento e humidade no viril de vidro; desagregação dos esmaltes. Os técnicos do Museu Nacional de Arte Antiga, Departamento de Conservação e Laboratório José de Figueiredo/ Instituto dos Museus e da Conservação, procederam à analises destas patologias e elaboraram o projecto de conservação da obra.
A Custódia de Belém foi retirada da exposição permanente em 28 de Abril de 2008; desmontada em 2 de Junho, minuciosamente observada e registada fotograficamente com uma poderosa lupa binocular de leitura tridimensional, sujeita a análises laboratoriais do ouro e dos esmaltes que a constituem assim como da requintada tecnologia com que foi executada. Procedeu-se depois à limpeza de sujidades e impurezas, à fixação dos esmaltes em destacamento, ao controle dos processos activos de salinidades, à substituição do vidro do viril anterior por outro, criteriosamente fabricado para o efeito.
Em finais de Abril de 2009 iniciou-se a remontagem da Custódia de Belém, não sem antes ser fotografada, documentando-se o seu estado antes, durante e após a intervenção. Esta exposição dá a conhecer, através de uma breve selecção de imagens, as principais fases deste processo. A 18 de Maio de 2009, dia Internacional dos Museus, a Custódia de Belém regressou ao olhar dos visitantes, dando a conhecer a importância do trabalho dos profissionais dos Museus para a conservação e conhecimento dos patrimónios históricos da humanidade, e a importância fundamental dos Mecenas que se associam ao esforço de conservação desses patrimónios e que, neste caso, coube à EPAL. Empresa Pública das Águas Livres.