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Aquisição de Autógrafos de Fernando Pessoa 

A classificação do espólio de Fernando Pessoa foi aprovada em Conselho de Ministros de 30 de Julho de 2009. 
 
Com o patrocínio da REN - Redes Energéticas Nacionais, SGPS, S.A., o Ministério da Cultura adquiriu, no leilão realizado pela empresa Potássio4, em 13 de Novembro de 2008, um importante conjunto de autógrafos de Fernando Pessoa que passaram a integrar o Espólio do Poeta à guarda da Biblioteca Nacional de Portugal.
Imagem de um dos documentos

[Carta, 19--, Lisboa, s.n., s.l. / Fernando Pessoa]. – 1 p. ; 22,8 x 17,2 cm
Rascunho autógrafo a tinta preta com emendas.

Na margem superior desenho de símbolos de ordens militares e três linhas de texto riscado. Rascunho de carta a destinatário desconhecido e em nome de «seus muito amigos», congratulando-se pelo respectivo aniversário.
A carta vai escrita no tom irónico muito característico do génio pessoano: «Com a regularidade do costume, faz o Dr. anos este ano no mesmo dia que no ano passado. Admiradores que somos dessa regularidade, que com certeza teria prémio num colégio, não queremos deixar de o felicitar por ela e de lhe desejar que muitas vezes continue no mesmo sistema, sem que alguma cousa o impeça de se declarar muito satisfeito com essa repetição…»

[Le commencement de la foi / [Fernando Pessoa]. – [19--]. – [24] p. em 16 f.; 11,5 x 8,5 cm. Autógrafo a tinta preta e lápis azul sobre folhas impressas de “Memorandum”, picotadas na margem superior.
Imagem de um dos documentosPáginas numeradas de 1 a 21, com repetição do número 17. As últimas 4 folhas não apresentam qualquer numeração. Trata-se de um texto extenso, escrito em francês, provavelmente incompleto, e de difícil leitura.

Com duas campanhas de escrita, a primeira, e mais extensa, a tinta preta e a segunda, e mais breve, a lápis azul, inclui, ao contrário do que o título Le commencement de la foi poderia fazer crer, reflexões sobre doutrina política.

No início da segunda página e folha parece poder ler-se: «L’antipatriotisme, le socialisme, l’anarquisme ne valent rien en soi; ce n’est que quand on les envisage comme symptômes...», seguindo-se observações sobre as características de diversos povos, mais ou menos «intuitivos», como os ingleses, e suas adaptações aos diferentes regimes políticos.

[Carta], 1915 Jul. 6, Lisboa ao] Director de A Capital, [Lisboa] / Alavaro [sic] de Campos, engenheiro e poeta sensacionista. – 1 p. ; 21,7 x 15,7 cm. Dactiloscrito a tinta vermelha com emendas e nota autógrafa, a tinta preta, na margem esquerda e na perpendicular. Menção de autoria a tinta azul.
Imagem de um dos documentosReproduzida em fac-simile no catálogo da exposição, organizada por Teresa Rita Lopes e Maria Fernanda de Abreu, Fernando Pessoa el eterno viajero. Lisboa: SEC, 1981. Publicada, sem referência à nota autógrafa, em Fernando Pessoa – Correspondência. Lisboa: Assírio & Alvim, 1999, 1º vol., p. 167, edição organizada por Manuela Parreira da Silva.

O texto da carta é conhecido e representou um dos “momentos quentes” da apresentação pública do «grupo de Orpheu», ganhando, por essa circunstância especial relevância testemunhal. Assinado por Álvaro de Campos, refere-se, no final, ao acidente de que foi vítima Afonso Costa, referência sarcástica que deu origem a troca de comentários mais ou menos azedos nos jornais da época contra o grupo.

O original adquirido está dactiloscrito e apresenta, além de algumas correcções de dactilografia, por sobreposição, que não alteram substancialmente o conteúdo, uma nota autógrafa, a tinta preta na margem e na perpendicular em relação ao texto, até agora desconhecida dos editores, referindo o drama «Os Jornalistas», de cuja representação se falava na Imprensa, como fantasia em «Que entram trez jornalistas apenas. O pano sobe ⌠com efeito⌡só até meio metro de altura de modo que pouco mais se vê do que os doze pés dos personagens».


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