Apresentação
A Direcção-Geral das Artes do Ministério da Cultura, em articulação com a maioria dos Municípios portugueses concretiza em 2009 uma Acção de Grande Envolvimento Nacional que tem como ponto de partida um olhar sobre o movimento, o corpo e a dança.
As Acções de Grande Envolvimento Nacional (AGEN) são momentos excepcionais que permitem a implicação simultânea de todo o território, com a possibilidade de participação da totalidade dos Municípios e de emergência de focos de actuação descentralizada dentro de cada um dos concelhos intervenientes. Trata-se da mais abrangente das linhas de difusão do Programa Território Artes que mobiliza largas centenas de entidades públicas e privadas, milhares de trabalhadores – técnicos, artistas, funcionários autárquicos, professores, bibliotecários – que asseguram todas as tarefas necessárias à montagem e promoção de cerca de 2.500 réplicas de uma mesma exposição e à realização dos espectáculos, ateliers e outras acções complementares que em cada local estão associadas à exibição da exposição. Consegue-se assim a máxima proximidade da AGEN a cada um dos portugueses, independentemente da sua localização no território.
Desta forma, procura a Direcção-Geral das Artes cumprir os objectivos gerais fixados para as AGEN no âmbito do Programa Território Artes: sublinhar o papel das artes como factor de desenvolvimento cognitivo indispensável à realização plena do ser humano; chamar a atenção para as artes enquanto vector fundamental para o desenvolvimento social e cultural de uma comunidade, sublinhando a correlação entre a constituição de um quadro do seu desenvolvimento e o aprofundamento do exercício da cidadania; divulgar expressões artísticas plurais e acessíveis a todos; chamar a atenção para o sentido de festa que se lhes associa.
No contexto da AGEN Movimento, Corpo, Dança fica disponível em todo o País «Uma Carta Coreográfica», exposição concebida pela coreógrafa Madalena Victorino em resposta ao desafio que lhe foi lançado pela Direcção-Geral das Artes. A Exposição desenvolve-se em duas estações intituladas «O corpo como adivinha» e «A dança como fábula». A primeira fala do corpo, a segunda do movimento do corpo. O carácter interpelativo da exposição é complementado com uma pequena carta coreográfica, que permite aos mais novos brincarem com o movimento da dança, e com um jogo de 52 cartas coreográficas que possibilita cinco jogos diferentes para pessoas de todas as idades.
Em termos iconográficos a exposição integra pinturas, desenhos e sobretudo fotografias de conceituados fotógrafos portugueses e estrangeiros. Devemos aqui expressar o nosso agradecimento a todos os fotógrafos, entidades e instituições que cederam as imagens expostas.
Aos nossos parceiros fundamentais – os Municípios – que trabalham no dia-a-dia com o Território Artes devemos o reconhecimento por, uma vez mais, possibilitarem a complexa operação logística que permite a presença de Uma Carta Coreográfica em todo o País, e por, no contexto da AGEN, oferecerem aos seus munícipes mais espectáculos, mais ateliers, mais exposições, entre outras actividades.
Cada uma das 2500 exposições que o Ministério da Cultura disponibiliza agora, a título gratuito e definitivo, passa a constituir acervo próprio de cada um dos Municípios e das outras entidades públicas e privadas participantes na acção. Muitas das réplicas da exposição terão tempos de exibição para além das balizas temporais da AGEN Movimento Corpo Dança. Muitas delas permanecerão acessíveis de forma continuada, designadamente aos públicos escolares. Muitas regressarão às salas de exposição noutros contextos relacionados com o movimento, o corpo e a dança, ou, também de forma directa, com a fotografia. Cada uma das 2500 réplicas fará o seu percurso. Primeiro até ao seu ponto de acolhimento no território, depois até aos locais de exibição.
Um percurso cruzado com os milhares de trabalhadores responsáveis pela sua montagem e promoção, depois com os visitantes que, também eles, farão percursos plurais e construirão as suas próprias cartas coreográficas.
Com este dispositivo de difusão das artes e formação de públicos reforçamos a oferta cultural de proximidade, nos Municípios, independentemente da sua dimensão – em equipamentos de bairro, em diversos tipos de recintos culturais, escolas, equipamentos sociais e superfícies comerciais.
Em Abril inicia-se mais um processo que procura o entrosamento entre o quotidiano dos cidadãos e as artes, uma espécie de teia sem fim de movimentos e percursos construídos desta vez a partir de Uma Carta Coreográfica. Como se de um grande movimento desenhado se tratasse.
É um dos propósitos fundamentais do Território Artes. Desafiar aqueles a quem esta acção chegar para as abordagens propostas ao movimento do corpo, pretende ser também um estímulo para o exercício da liberdade num projecto de afirmação da cidadania aberto à participação de todos.
Jorge Barreto Xavier
Director-Geral das Artes